Bahia, 14 de julho de 2026

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EDUCAÇÃO EXIGE DIÁLOGO, EQUILÍBRIO E RESPONSABILIDADE COMPARTILHADA

Valorizar professores é fundamental, garantir condições dignas de trabalho é indispensável, e preservar a sustentabilidade das escolas é necessário

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Por Wilson Abdon Neto / Presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado da Bahia 
Edição: Isana Pontes/Jornalista 

Valorizar professores, preservar as escolas e garantir que as famílias continuem tendo acesso à educação privada são objetivos que precisam caminhar juntos. Em toda negociação coletiva existe uma pergunta central: como avançar sem comprometer aquilo que todos desejam preservar? No caso da educação, essa pergunta é ainda mais importante. Afinal, professores, escolas e famílias possuem um objetivo comum: garantir a melhor formação possível para crianças e jovens.

Nos últimos dias, as discussões entre escolas particulares e professores trouxeram para o debate público uma preocupação legítima: o aumento da complexidade do trabalho educacional e seus reflexos na rotina dos docentes. Os professores convivem hoje com desafios muito diferentes daqueles existentes há uma década. A educação tornou-se mais inclusiva, mais personalizada e mais conectada às demandas das famílias e da sociedade. Além das atividades tradicionais, as escolas precisam atender estudantes com diferentes perfis de aprendizagem, utilizar plataformas digitais e acompanhar individualmente os alunos.

Esse novo cenário não foi criado pelas escolas nem pelos professores. É resultado de uma transformação social, legal e pedagógica que alcançou todo o sistema educacional brasileiro. Por isso, é um equívoco tratar essa realidade como um problema que afeta apenas os docentes ou cuja solução dependa exclusivamente das escolas. A educação inclusiva e personalizada exige a atuação conjunta de professores, gestores e famílias.

O debate que a sociedade precisa fazer não é apenas sobre aumento de custos ou ampliação de obrigações. Precisamos discutir como reorganizar processos, utilizar tecnologia, fortalecer equipes multidisciplinares e construir modelos mais eficientes que garantam qualidade educacional sem ampliar a sobrecarga de quem está na linha de frente da aprendizagem.

O desafio da sustentabilidade na educação privada

Mas existe outro aspecto que não pode ser ignorado: a realidade financeira das famílias brasileiras. Na educação privada, qualquer aumento significativo de custos acaba, inevitavelmente, impactando as mensalidades escolares.

Segundo dados do Educacenso 2025, existem 2.573 escolas privadas na Bahia responsáveis pelo atendimento de aproximadamente 510 mil estudantes. Mais da metade dessas instituições possui até 200 alunos matriculados. Apenas 25 escolas em todo o estado ultrapassam a marca de mil estudantes. A educação privada baiana é sustentada, principalmente, por pequenas e médias instituições, muitas delas inseridas em comunidades onde desempenham papel fundamental na geração de empregos, oferta de vagas e promoção do desenvolvimento local.

Valorizar professores é fundamental, garantir condições dignas de trabalho é indispensável, e preservar a sustentabilidade das escolas é necessário. Assegurar que as famílias possam continuar investindo na educação dos seus filhos é igualmente importante. Esses objetivos não são concorrentes, são complementares.

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