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Bahia, 20 de agosto de 2026
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Antes de identificar o tema da redação, listar repertórios, desenvolver argumentos ou sugerir uma proposta de intervenção, o participante do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 deve identificar o comando da frase temática. O comando é o trecho da oração que indica qual o caminho esperado para aquela determinada proposta.
Em 2020, a frase temática era “O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira”. Neste caso, era esperado que o estudante dissertasse sobre a discriminação que assola pessoas com doenças mentais. Aquele que escrevesse sobre os efeitos das doenças mentais para a pessoa nessa condição ou focasse unicamente na invisibilização dessas pessoas provavelmente perderiam pontos por fuga do tema.
“Muitos candidatos cometem o erro de focar apenas no assunto geral (como ‘envelhecimento’, ‘cinema’ ou ‘saúde mental’) e negligenciam as palavras-chave que determinam o recorte temático e o comando. O objetivo da redação muda substancialmente dependendo do direcionamento desse comando, exigindo projetos de texto e estratégias argumentativas completamente distintos”, explica Daniela Toffoli, Coordenadora de Linguagens e professora de redação do Colégio Anglo São Paulo.
Professores ouvidos pelo g1 explicam que a maneira como o tema é apresentado, em uma frase específica, deve servir como bússola para a estrutura do texto do estudante.
Como entender os comandos
Lucas Neves, professor de redação do Colégio Leonardo da Vinci, reforça que o aluno não pode levar em conta apenas o público-alvo ou o problema destacado, mas a frase como um todo. “Se a palavra está lá, alguma coisa significa”, diz.
Ele explica que uma proposta pode apontar uma projeção futura, sugerir uma ideia positiva e otimista, destacar preconceitos e estereótipos ou mesmo focar na problematização dos obstáculos que contribuem para a permanência do problema — tudo a depender do comando da frase temática.
Veja como o comando pode mudar, de maneira prática, o objetivo da redação, de acordo com Daniela Toffoli:
Apesar dos riscos de perda de ponto caso o direcionamento do texto desvie da proposta original, os professores aconselham que o aluno não se desespere caso não entenda o significado exato do comando, já que o foco principal deve sempre ser a questão social e a proposta de intervenção.
“Independentemente dessa palavra (‘desafios’, ‘perspectivas’, ‘caminhos’), é fundamental fazer uma leitura ‘caprichada' dos textos de apoio para compreender como aquela questão impacta a sociedade brasileira e quais são suas origens”, explica Lucas Neves, professor de redação do Colégio Leonardo da Vinci.
“Junto ao comando, o assunto proposto será um problema social, e isso é essencial que o aluno compreenda: caso não traga as causas e efeitos que esse problema gera (ou pode gerar) na sociedade, comprometerá todo o projeto de texto. Afinal, se nenhuma problemática for discutida, que sentido tem, ao final, o aluno propor uma intervenção? Se esse problema não for exposto, não há motivo para que seja ‘resolvido’”, Daniela Toffoli complementa.
A evolução dos comandos da frase temática
Os educadores avaliam que, apesar de o tipo de texto e a estrutura básica esperada permanecerem os mesmos, a maneira de apresentar a frase temática mudou.
“Ao analisarmos a trajetória do Enem nos últimos 10 a 15 anos, é possível observar uma mudança nítida e intencional na clareza e na precisão técnica das frases temáticas. As propostas atuais são mais cirúrgicas e estruturadas do que no passado”, a especialista do Colégio Anglo São Paulo explica.
“As frases temáticas passaram a apresentar um recorte significativamente mais específico e direcionado dos problemas sociais, focando com mais precisão em quem é mais afetado por essas realidades. Vimos isso claramente ao longo dos anos com temas como a violência contra a mulher, a intolerância religiosa e a valorização da herança africana”, Lucas Neves acrescenta.
Para Daniela Toffoli, essa mudança aconteceu para diminuir a ambiguidade da proposta. “Ao deixar a frase temática mais explícita e direta, a banca do exame ajuda o candidato a compreender exatamente qual é o problema social que precisa ser solucionado, além de tornar os critérios de correção sobre tangenciamento e fuga ao tema muito mais objetivos e justos em larga escala nacional”.
Estrutura esperada do texto
Todos os anos, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo Enem, divulga uma cartilha do participante para a redação do exame. É este documento que detalha as competências avaliadas na redação e apresenta eventuais mudanças na maneira de avaliar e atribuir notas do texto.
A cartilha de 2025, por exemplo, trouxe uma orientação explícita para reforçar uma regra já existente nas últimas edições do exame: a proibição de “repertórios de bolso”, que poderia implicar na perda de pontos em algumas competências.
O documento também detalhou como um texto ideal deve ter:
Tudo isso deve ser organizado de modo que respeite o formato de texto proposto (dissertativo-argumentativo) e englobe o máximo possível das cinco competências avaliadas. Cada competência reúne aspectos específicos e recebe nota entre 0 e 200 pontos – que, somados, resultam na nota máxima de 1.000 pontos. A cartilha de 2025 as apresentou da seguinte maneira:
(Fonte: G1)
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